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Advogada ou Psicóloga?

21/04/20252min e 37seg de leitura

Você jura que vai ao escritório só pra falar de uma pensão, um inventário, talvez uma revisional de alimentos. Mas bastam 10 minutos e você já tá chorando, falando do trauma de infância com a avó que preferia o primo, do boy lixo que te deixou pelo WhatsApp e do cachorro que fugiu em 2009 e nunca mais voltou. Tudo isso… no colo da advogada.

Querida, você contratou um processo, não uma sessão de terapia. Mas ok. Vamos lá.

O advogado, coitado, só queria redigir uma petição. Mas lá está ele, ouvindo:
“Doutora, ele me traiu com a minha melhor amiga! E ainda ficou com o ventilador da casa! Você acredita?”
Sim, amiga. Acredito. Mas infelizmente, ventilador não entra no pedido de danos morais. Ainda.

E os dramas? Ah, os dramas…

Você entra no escritório pedindo divórcio e sai com um diagnóstico de crise existencial, ansiedade leve, tendência a relações tóxicas e um leve TOC por organização de provas.
Porque não basta se separar, né? Tem que fazer isso com dignidade, lágrimas e talvez um desabafo que duraria três sessões na clínica do Dr. Freud.

O advogado é tipo o Google das emoções: ninguém pergunta o que devia, todo mundo conta o que não precisa.

“Doutora, eu sei que é sobre guarda compartilhada, mas posso te contar por que eu odeio minha sogra?”
E a profissional lá, com cara de quem tá calculando a pensão, mas por dentro pensando:

“Querida, se eu cobrasse por absorver trauma alheio, já tava de férias nas Maldivas.”

Manual prático do cliente emocionalmente carente (by OAB)

  • Chegue no escritório com documentos.
  • Traga junto um arsenal de lembranças dolorosas.
  • Evite falar do processo até o minuto 43 da conversa.

Não esqueça: toda frase deve começar com “Eu sei que isso não tem a ver com o caso, mas…”.

Conclusão: Advogada ou Psicóloga? Sim.

Sim, somos tudo isso.
Advogada na frente do cliente, psicóloga nas entrelinhas, babá emocional nas entrelinhas da entrelinha.
Porque no final, cada processo vem com uma bagagem emocional digna de novela mexicana.
E se você acha que vai sair do escritório só com uma petição, prepare-se: vai levar também uma autoanálise gratuita, um choro contido, e talvez um café com bolacha (porque empatia jurídica alimenta também o estômago).

Então, se a dúvida é “advogada ou psicóloga?”, a resposta é: depende da hora do dia e do estado emocional do cliente.

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